10 de março de 2021

SANTARÉM/PA - HOTEL TROPICAL, UMA SAGA AMAZÔNICA

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Quem teve a audácia de gastar uma fortuna milionária em Santarém no meio da Amazônia?

Em 1950 ainda jovem, Arnaldo Paoliello saia da faculdade de arquitetura Mackenzie em São Paulo com o seu diploma preparado para desenhar uma das mais belas obras modernas da sua vida. Durante 20 anos segurando firme em seu lápis, papel e borracha, criando altas horas da madrugada rabiscos como; curvas, linhas, medições e imaginando ideias geniais, projetou inúmeras construções que ainda fazem parte da memória dos mais antigos e esquecidas por alguns de nós. Mas para lembrá-lo, tenho a história para te contar. Então vamos lá!

Na década de 60 para 70 em seu escritório, pelas primeiras horas da manhã, Arnaldo recebeu um telefonema do presidente da antiga Varig, poderosa companhia 100% brasileira de aviação na época. Aquele telefonema mudou a sua vida. Agora, é a hora de Arnaldo fazer parte do projeto “Integração Amazônica”. Era um desafio do governo e parte da elite local apostar na modernização do Norte do nosso país. A missão que o arquiteto teve, foi de criar um projeto arquitetônico para a Companhia Tropical de Hotéis, que tinha como sua subsidiária a Varig. Foi no período da ditadura militar que a Amazônia recebeu pela primeira vez incentivos para o turismo nesta região próspera, exuberante e rica.

A construção envolveu, em sua maioria, operários vindos da capital federal, Brasília e uma outra parte daqui mesmo do Tapajós, envolvendo até trabalhos artísticos de artesãos em sua esplendorosa decoração até os dias de hoje.

Como o governo brasileiro facilitava investimentos privados, através de incentivos fiscais na época, as empresas geravam mais empregos e cresciam. O então Presidente da república Médici, exigiu ao presidente da Varig que incluísse no projeto, 01 suíte presidencial e 30 quartos para membros da sua equipe. Mãos à obra! era dia, noite, chuva e sol e os homens em meio daquele conglomerado de cimento feito de argilas paraenses, terra tapajônica, águas cristalinas para molhar a massa e vamos dizer assim: Concluir um “Resort na selva tropical” eles queriam a edificação luxuosa pronta o mais rápido possível para apresentarem ao mundo e mostrar a visibilidade da Amazônia e de que era possível construir e preservar sem maltratar a natureza e sua biodiversidade.

Arnaldo Paoliello

Faltavam poucos dias para uma noite de festa social, quando Arnaldo percebeu que havia desenhado entre as duas metrópoles amazônicas, Manaus e Belém, uma verdadeira obra-prima que não se deixa a desejar para qualquer outro hotel de grande porte lá na Europa.

Às vezes quando adentramos e só olhamos um simples corredor, uma sala curvada, uma piscina rodeada com uma mini floresta, pensamos que é só mais um dentre vários que irei dormir! Nada disso, quando, tocamos e sentimos a vida que aquele lugar nos traz é diferente, o verdadeiro valor sentimental da criação do homem ou da mulher é a sua sensibilidade. Talvez, quando Arnaldo soube que os dois presidentes não foram para à festa de inauguração tenha ficado triste. Mas pra ele, temos a certeza, que deixou um símbolo em missão cumprida aqui em Santarém na Pérola do Tapajós.

Era no dia 31 de julho de 1973, quando o sol raiava e os pássaros bem-te-vi em vez de cantarolarem, anunciavam a hora em que as autoridades teriam que cortar a faixa de inauguração da chegada do Tropical Hotel de estilo curvado com vistas e varandas de frente para o incrível rio Tapajós. Na festa estavam presentes, ministros e moradores e todos convidados para subirem a rampa e pudessem, contemplar a beleza arquitetada pelo Arnaldo Paoliello. Não sabemos os valores que foram gastos no Tropical, mas podemos dizer que foram alguns milhões de cruzeiros, antes do real.

Atualmente, o Hotel Tropical está com o nome de Barrudada Hotel.
Autor: Cristiano Santa Cruz
Extraído da págino do Facebook de
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