1 de setembro de 2020

RACISMO - PROCURADORIA REQUER QUE SUPERMERCADO RECONTRATE A OFENDIDA!

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Auxiliar de cozinha Nataly Ventura da Silva, de 31 anos, foi surpreendida com a frase 'só para branco usar' em um avental. MP pede indenização de R$ 50 milhões por dano moral coletivo, além da recontratação da vítima.

Por André Coelho, GloboNews

Funcionário teria escrito bilhete racista para outra — Foto: Reprodução/GloboNews

Uma auxiliar de cozinha negra foi demitida após denunciar que foi vítima de racismo e intolerância religiosa em uma unidade do Hipermercado Atacadão, na Zona Oeste do Rio. A justificativa para a demissão foi ter "se envolvido em situações de conflito com outros funcionários".

Como mostrou a GloboNews nesta segunda-feira (31), Nataly Ventura da Silva, de 31 anos, afirmou que logo que começou a trabalhar no local já convivia com a discriminação de um colega.

Identificado como Jeferson Emanuel Nascimento, o funcionário é suspeito de ter ofendido a mulher por conta da cor de pele e da religião dela, que é o candomblé.

O Ministério Público do Trabalho afirmou que a funcionária foi surpreendida com a frase "só para branco usar" em um avental. A mensagem foi assinada e escrita por Jeferson.

O órgão, então, entrou com uma ação contra o estabelecimento, do Grupo Carrefour. A GloboNews teve acesso com exclusividade ao documento.

"Eu me senti menor que uma formiguinha. Eu me senti tão mal que eu fui pra trás chorando, cheguei em casa chorando e fiquei com aquilo na cabeça perguntando o porquê, mas não sou eu que tenho que me perguntar o porquê", lamentou a funcionária.

Mulher é vítima de racismo e intolerância religiosa dentro do próprio ambiente de trabalho — Foto: Reprodução/GloboNews

Em depoimento, Jeferson assumiu que ser o autor da frase e afirmou que a Nataly pediu apenas para apagar a mensagem. De acordo com documentos internos do próprio mercado, o funcionário já havia sido acusado de racismo e agressão contra outra colega de trabalho na mesma unidade.

“Isso tem que parar. Até quando a gente vai viver se escondendo? Até quando a gente vai viver acuado por conta do preconceito alheio? Eu não acho certo, não acho justo comigo. Cheguei a ficar envergonhada”, disse a auxiliar de cozinha.

Mesmo após a funcionária levar o caso até a chefia, os gestores não puniram o funcionário de forma imediata, apenas o mandaram apagar as palavras.

Posteriormente, Jeferson foi demitido, mas o Ministério Público do Trabalho apontou que a demissão só ocorreu após o início da investigação do caso por promotores.

"Eu fui desligada da empresa. Voltei no refeitório pra poder buscar meus pertences, celular, bolsa de remédio, carregador, e estava lá o avental. No mesmo momento eu tirei a foto, fotografei, mas fiquei muito chateada."

Na ação contra o hipermercado, o Ministério Público quer o pagamento de uma indenização de até R$ 50 milhões por dano moral coletivo, além da recontratação da vítima.

À Globonews, a procuradora do Ministério Público, Fernanda Barbosa Diniz, destacou a importância de denunciar casos de racismo dentro do ambiente de trabalho.

"O que nós buscamos é que a empresa crie um ambiente de trabalho seguro para os seus trabalhadores. Hoje, a gente vive hoje numa sociedade só para branco usar. E a nossa resposta quanto sociedade é qual? É a mesma resposta da chefia da Nataly, é apagar, esquecer, esconder. O que nós não podemos é continuar perpetuando essa prática", declarou a procuradora.

O que diz o hipermercado

A Globonews pediu uma entrevista para os representantes do Grupo Carrefour, controlador do Hipermercado Atacadão, mas eles enviaram apenas uma nota. Confira a íntegra abaixo.

"O Atacadão atua a partir de políticas sérias de diversidade e repudia veementemente qualquer tipo de discriminação. Assim que tomou conhecimento do caso por meio do Ministério Público do Trabalho, abriu rigorosa sindicância para apurar o ocorrido, que resultou no desligamento do colaborador em questão.

A empresa reforça que, quando a denúncia do episódio mencionado foi realizada, a colaboradora já tinha sido desligada após avaliação de desempenho do período de experiência de 90 dias. O Atacadão conta com um canal exclusivo para denúncias, para que os funcionários possam reportar casos internamente de forma anônima."

A GloboNews entrou em contato com o funcionário acusado de racismo e ele negou que seja racista. Reforçou que tudo se tratava apenas de brincadeiras no ambiente de trabalho.

Nota do Blog: Deixa ver se entendi essa marmota do MP de querer multa de R$50 milhões por danos coletivos e a recontratação da funcionária ofendida para o mesmo ambiente aonde já haviam ocorridos outros casos de racismo e sem qualquer adoção de medida pelo supermercado, sendo que a funcionária ofendida, foi a única punida pela empresa. Assim, o MP ainda deseja a volta dela para este ambiente hostil! Por que o MP não pede uma multa mais baixa, mas que beneficie diretamente a vítima? Ora, Nataly não terá as mínimas condições psicológicas para trabalhar naquele local, principalmente porque a empresa compactuava com as atitudes racistas de seu funcionário, posto que não era a primeira vez de tal 'brincadeira' e, pior, demitiu Nataly por essa ter "se envolvido em situações de conflito com outros funcionários"!

O hipermercado pertence à rede Carrefour, o mesmo que agrediu até a morte um cachorro, que deixou um funcionário por mais de 4 horas morto ao chão numa seção aberta ao público e coberto por guarda-sóis!
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