28 de julho de 2022

CRUELDADE - MÃE ADOTIVA MATA BEBÊ DE QUASE 2 ANOS

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Bebê foi colocado para adoção pelos serviços de assistência social do Condado de Crumble, na Inglaterra. A mulher que o adotou o matou com violência. Pela primeira vez, a mãe biológica fala sobre a história5 min de leitura

A assassina

Laura Corkill tinha um histórico difícil. Ela sofria violência doméstica brutal de seu ex-marido e, quando estava se recuperando, no hospital, depois de uma sessão terrível de agressão, a assistência social retirou seus dois filhos de casa, alegando que a mãe não teria condições de protegê-los e de dar tudo o que eles precisavam. Poucos anos depois, uma nova gravidez. Desta vez, no entanto, ela tinha se livrado de seu abusador, com a ajuda da instituição Womens Out West (que apoia mulheres que sofrem violência doméstica) e estava sozinha, preparando tudo para a chegada de Leiland-James. Quem sabe um recomeço, uma nova forma de reconstruir sua vida. Mas as coisas tiveram um desfecho diferente do que ela imaginava.

Leiland James morreu de traumatismo craniano depois de ter sido agredido (Foto: Reprodução/ BBC)


Em entrevista à BBC, ela falou, pela primeira vez, sobre a trágica sequência de acontecimentos. Ainda na gravidez, Laura recebeu a visita de assistentes sociais para saber como estavam as condições - dela e da casa, que fica em um local simples e precário, no Condado de Cumbria. Mas ela tinha preparado um quarto, montado um enxoval e estava tranquila. Ela afirmou que perguntou diretamente para as assistentes se o bebê seria tirado dela desta vez, já que estava traumatizada por ter perdido os outros dois filhos. A resposta foi não.

Antes do parto, Laura passou por vários cursos de avaliação parental e estava tudo bem, mas, mesmo assim, quando o pequeno veio ao mundo, perto do Natal de 2019, ele foi levado do berçário pelos serviços de assistência social. Ela falou que não recebeu nenhum aviso de que seu filho seria retirado dela e começou ali uma luta para recuperá-lo.

Um porta-voz do Conselho de Cumbria, responsável pela retirada do bebê da mãe, disse à BBC que, onde há preocupações de que as necessidades de uma criança não possam ser atendidas, eles têm o dever de agir e trabalham duro para apoiar e informar os pais biológicos. Leiland-James foi entregue a um cuidador temporário.

Laura Corkill durante uma das visitas ao filho
(Foto: Reprodução/ BBC)

Várias vezes, com a ajuda das fundadoras da instituição Womens Out West, Laura entrou com pedidos, fez propostas e fez tudo o que estava ao seu alcance. Ela estava determinada a conseguir seu bebê de volta. Laura, então, conseguiu o direito de visitá-lo e de ficar com ele, sob avaliação da assistência social, quatro vezes por semana, uma hora e meia por dia.

"Eu ainda estava esperando que ele voltasse para casa", diz ela. "O contato significou o mundo para mim. Até pedi que estendessem para cerca de duas horas. Eles não aceitaram. Eu não confiava neles [nos assistentes sociais], mas estava disposta a cooperar para trazer Leiland de volta”, lembra.

Então, em março de 2020, começou a pandemia. Depois de dois ônibus e uma hora de viagem, ao chegar ao centro onde ela se encontrava com o filho, Laura se deparou com as portas fechadas. Nos próximos meses, o contato era só por vídeo. Em julho, sem aviso prévio, o Conselho do Condado de Cumbria deu uma ordem de adoção para Leiland-James. "Como [os assistentes sociais] puderam fazer isso, quando viam como era o meu contato com meu bebê?", questiona Laura.

Em 22 de agosto, o menino foi entregue a um casal, Laura e Scott Castle. Laura Corkill tinha o direito de conhecer os novos “pais”, mas o encontro sempre era adiado, sob diferentes desculpas. A mãe biológica desconfiou de que havia algo errado - e estava certa.

Depois de meses com a nova “família”, em janeiro de 2021, apenas poucos dias depois de seu primeiro aniversário, o bebê foi levado de ambulância para um hospital. Laura Castle, a mãe adotiva, disse que ele tinha caído do sofá. Mais tarde, descobriu-se que ela agrediu o menino violentamente, porque ele chorava. Ele sofreu a síndrome do bebê sacudido, de forma intensa.

Tanto é que, mais tarde, durante a investigação, Laura e Scott tiveram seus celulares apreendidos e foram encontradas várias mensagens de texto em que Laura Castle dizia que tinha “dado um couro” no menino e que ele era uma “cria do diabo”, entre outras palavras. "Eu honestamente não gosto dele nos últimos tempos, ele é um saco cheio de gemidos e eu me arrependo totalmente de ter feito isso [sic]”, diz outro texto, enviado por ela.

Laura Castle, que matou o bebê, foi condenada a 18 anos de prisão
 (Foto: Reprodução/ BBC)

Os assistentes sociais não sabiam dos textos ou dos abusos.Quando soube que o filho estava no hospital, ferido gravemente, Laura Corkill queria vê-lo, mas o Conselho demorou para informar em que hospital ele estava. Quando ela, finalmente, descobriu e chegou lá, era tarde demais: Leiland estava morto. Ela sabia, por intuição, que não tinha sido um acidente. “Eu disse que quem estava com ele o matou. O cirurgião me disse 'nós suspeitamos disso e o caso foi para investigação assim que Leiland-James foi para o hospital'", lembra.

Os patologistas diriam mais tarde, no tribunal, que os ferimentos de Leiland-James eram um indicador clássico de "traumatismo craniano abusivo" - um termo substituto para "síndrome do bebê sacudido" - e eram da gravidade observada em acidentes de carro em alta velocidade.

A mãe adotiva, Laura Castle, foi presa em maio deste ano, culpada por assassinato e sentenciada a 18 anos de pena. O marido foi inocentado. Ele disse ao júri que estava dormindo e não viu o que estava acontecendo, porque tinha trabalhado no turno da noite.
Inconformada, Laura Corkle diz que Laura Castle é um “monstro sádico do mal” e questiona como o Conselho de Cumbria, que tirou o bebê dela com a desculpa de protegê-lo, deixou que isso acontecesse. Para ela, o órgão também deveria ter sido responsabilizado. "Por que eles o colocaram lá? Por que demoraram tanto para descobrir isso? Eles deveriam ter cancelado o pedido de adoção”, indigna-se. Para ela, as mulheres que sofrem abusos e violência domésticas deveriam ser acolhidas e não penalizadas.

"Perdi a conta de quantas vezes pedi meu bebê de volta. É como se eu tivesse sido varrida da face da terra. Quando ele chegou em casa, estava em uma caixa de madeira", finalizou.
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