6 de maio de 2022

78 KG DE OURO - DONO DE OURO APREENDIDO, QUE TEM ESTREITA RELAÇÃO COM BOLSONARO, EXPLICA MAS NÃO CONVENCE

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Dirceu Frederico Sobrinho esclarece apreensão de ouro da FD Gold pela PF em São Paulo

PORTAL OESTADONET

Dirceu Frederico Sobrinho - Créditos: Reprodução/Vídeo

O empresário Dirceu Frederico Sobrinho divulgou um vídeo na tarde desta sexta-feira (6), para explicar sobre o carregamento de ouro apreendido na última quarta-feira (4), pela Polícia Federal, em Sorocaba, interior de São Paulo. A carga avaliada em cerca de R$ 23 milhões, estava sob a escolta de policiais militares, sendo que dois deles são lotados no gabinete do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB).

No vídeo publicada em suas redes sociais, o Dirceu Frederico afirma que o ouro apreendido pela PF é de propriedade de sua empresa, a FD Gold, e que foi comprado sob permissão de lavra garimpeira concedida. Segundo ele, o minério não foi extraído de área indígena e nem é oriundo de garimpos ilegais.


Dirceu afirmou que há muito tempo trabalha juntamente com outras empresas para melhorar a atividade garimpeira em todo o país. "Inclusive buscando o respeito da sociedade brasileira pela atividade garimpeira. Sabemos que o garimpo tem que fazer suas mudanças, principalmente na questão ambiental. Nós fazemos parte desse trabalho, buscando sempre a parte educacional e orientativa. A minha empresa recolhe todos os tributos, todos os encargos e sempre recolheu e vai continuar trabalhando de forma digna e séria", explicou.

O empresário não explicou, no entanto, as razões de o transporte ter sido feito em uma aeronave que não tinha permissão da Agência Nacional de Aviação (Anac), para fazer voos e que estava em situação de sequestro criminal, nem a escolta da carga por policiais lotados na governadoria paulista.

Como a escolta era feita por policiais militares do Estado de São Paulo, algumas pessoas, entre eles os Bolsonaros, tentaram ligar o dono do ouro com o governo paulista, esquecendo que o empresário Dirceu Frederico Sobrinho tem estreita relação com o governo de Bolsonaro, inclusive ja se reuniu com diversos figurões do atual governo federal. As imagens abaixo, retiradas de redes sociais, comprovam tal relação.

Dirceu e esposa com o presidente Bolsonaro - imagens: Instagram
Dirceu e esposa com o general Heleno - imagens: Instagram

Dirceu com o vice-presidente Bolsonaro - imagens: Facebook

O QUE É SEQUESTRO CRIMINAL

O sequestro consiste na apropriação judicial do bem, móvel ou imóvel, adquirido pelo indiciado com os proventos da infração e é medida cautelar prevista no Código de Processo Penal que possue essa finalidade de assegurar os prejuízos patrimoniais advindos da conduta delituosa.

Veja o vídeo do desembarque do ouro.

Via Portal Matogrosso
ENTENDA O CASO

Ouro apreendido pela PF em aeroporto de São Paulo é de Dirceu Frederico Sobrinho; avião é objeto de sequestro criminal em outro inquérito policial

Via Folha de São Paulo

Dirceu Frederico Sobrinho - Créditos: Blog do Jota Parente/Arquivo

Os 78 quilos de ouro apreendidos pela Polícia Federal na tarde desta quarta-feira (4) em Sorocaba, no interior de São Paulo, pertencem à empresa FD Gold, uma distribuidora de valores (DTVM) do empresário Dirceu Frederico Sobrinho. O carregamento é estimado em cerca de R$ 23 milhões.

Procurado pela Folha desde a manhã desta quinta-feira (5), o empresário não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.

O carregamento de ouro apreendido pela PF estava sendo escoltado por um grupo de policiais militares paulistas, dois deles lotados na Casa Militar, a unidade da Polícia Militar de São Paulo instalada dentro do Palácio dos Bandeirantes e responsável pela segurança dos governadores, entre outras funções.

Ouro apreendido pela PF em Sorocaba (SP) - Divulgação

Os PMs estavam em dois veículos, ambos Toyota Corolla, e registrados em nome da FD Gold. Integrantes da cúpula da Segurança Pública de São Paulo ouvidos pela Folha afirmam que os PMs relataram aos superiores que estavam a serviço dessa empresa.

Em mensagem enviada aos colegas oficiais, o tenente-coronel Marcelo Tasso, que participava da escolta, disse que estava lá a convite do dono de uma DTVM, "devidamente legal", conhecido (não citou nome) que havia solicitado a ele a indicação de dois policiais para fazer a operação de transporte.

"Como a carga é de valor muito elevado, pediram para irmos até a delegacia da PF para conferência, o que foi feito. Mas, devido a existência de mais de mil documentos relativos (notas fiscais, etc), isto demorou demais e também realizaram as oitivas de todos", disse o oficial lotado da Casa Militar.

De acordo com a PM, ele está afastado das funções desde de dezembro em processo de ir para reserva. "Foi constatado que tudo estava devidamente documentado, mas por padrão irá para perícia. Ninguém foi indiciado, não restando nenhuma consequência para nós. Apenas a empresa que fará as tratativas necessárias com a PF", diz mensagem.

Em nota distribuída na manhã desta quinta (5), a Polícia Federal afirma que agentes da instituição monitoravam a aterrissagem de um avião particular King Air (turboélice) no aeroporto estadual de Sorocaba. E, com o apoio da Polícia Militar Rodoviária, eles abordaram dois veículos Corollas, na rodovia Castelo Branco, próximo ao km 74, sentido capital.

Dentro dos veículos foram encontradas três malas contendo as barras de ouro e, também, uma quarta mala com documentos diversos. Todas apreendidas. "Seis suspeitos foram conduzidos à delegacia da PF em Sorocaba, e instaurado inquérito policial para apurar a possível prática dos crimes de usurpação de bens da União e receptação dolosa", diz a nota.

Ainda de acordo com a PF, os documentos apreendidos apontam que o ouro seria proveniente do Mato Grosso e Pará. "O metal foi encaminhado para realização de perícia em laboratório específico da PF. Por tratar-se de ouro, o valor da apreensão soma cerca de R$ 23 milhões", diz.

A PF afirma, ainda, que o avião utilizado no transporte do ouro também foi apreendido porque é objeto de sequestro criminal em outro inquérito policial que apreendeu ouro ilegal. "As circunstâncias da utilização proibida da aeronave serão apuradas."

A empresa esteve na mira da polícia federal. O Ministério Público Federal a acusa de despejar nos mercados nacional e internacional mais de uma tonelada de ouro extraída de garimpos ilegais da Amazônia. O empresário também foi alvo de uma operação há três anos que investigava a lavagem de ouro no Pará.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, foi elaborado um boletim de ocorrência para averiguar a extração irregular de minério. Além disso, a Corregedoria da Polícia Militar acompanha a investigação.

Em 2018, a PF e o MPF (Ministério Público Federal) realizaram a Operação Levigação, para tentar combater a lavagem de ouro clandestina no Pará, que resultou no bloqueio judicial de R$ 187 milhões de bens dos investigados.

Um deles era o empresário Dirceu Frederico Sobrinho, proprietário da D’Gold. Na época, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nos escritórios da D’Gold em Itaituba e em São Paulo.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que "os fatos citados foram registrados e são apurados pela Polícia Federal". "A Corregedoria da Polícia Militar acompanha as investigações e, se constatada alguma irregularidade, as medidas cabíveis serão adotadas", diz nota.

Em nota, a Casa Militar disse que afastou imediatamente o sargento e que o tenente está afastado desde outubro do ano passado "para cumprir licenças pendentes para a sua aposentadoria". "A ocorrência foi encaminhada para a Corregedoria da Polícia Militar abrir investigação", diz trecho da nota.

Ainda segundo a Casa Militar, é de "conhecimento público" que o empresário "mantém relações constantes com a cúpula do governo federal para defender interesses do garimpo e da mineração".

Em nota, o diretório do PSDB de São Paulo afirmou que Dirceu Sobrinho não consta nos quadros do partido.​

OUTROS CASOS

Não é a primeira vez que ouro é apreendido em aviões no país. Em agosto do ano passado, a PF apreendeu 52 kg do metal em barras no aeroporto do Campo de Marte, na zona norte paulistana. De acordo com a polícia, a carga não tinha documentação fiscal e a perícia apontou indícios de que o minério tinha vindo de áreas de garimpo clandestino no norte do país. De acordo com a PF, parte do ouro era usado para fabricação de joias na Itália.

Cerca de 110 kg de ouro apreendidos no aeroporto de
 Goiânia em junho de 2019.

Também em agosto passado, outros 39 kg de ouro (R$ 11 milhões na cotação da época) estavam em uma mala encontrada perto de um avião de pequeno porte no aeroporto de Jundiaí (SP). A aeronave vinha do Pará. Um suspeito foi ouvido pela polícia e liberado em seguida. Não foi determinada a origem do produto.

Em junho de 2019, uma carga de 110 kg de ouro (R$ 20 milhões na cotação da época) foi apreendida no aeroporto de Goiânia em uma aeronave que teria saído de Goiânia e, ainda de acordo com a PF, esteve no Pará e Maranhão antes de voltar para a capital de Goiás.

Um mês antes, em 28 de maio de 2019, outros 16 kg de ouro (R$ 2,6 milhões na cotação da época) em barras e mais R$ 500 mil em dinheiro vivo foram apreendidos no aeroporto de Aragarças (GO), em um avião que saiu do Pará e seguia para Catanduva, no interior de São Paulo.
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