6 de janeiro de 2022

COVID-19 - PAI LAMENTA MORTE DE FILHA DE 7 ANOS POR FALTA DE VACINA

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Criança morreu em Ribeirão Preto, aos 7 anos, com síndrome inflamatória multissistêmica, complicação rara do coronavírus 


Divulgação

São Paulo – Com a resistência do governo federal em distribuir vacinas contra o coronavírus para crianças com menos de 12 anos, aumentou a aflição dos pais que ainda não vacinaram seus filhos contra a doença. Sem a vacina, ao médico Rodolfo Aparecido da Silva, 44 anos, restaram um amor e uma saudade que não cessam. Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ele perdeu a filha, aos 7 anos, em janeiro do ano passado, para a doença.


“Se tivesse vacina, talvez isso não teria acontecido. O que eu não daria para minha filha estar aqui? Fico feliz com o início da imunização”, afirmou em entrevista ao Metrópoles.


Ele comemora, no entanto, o anúncio recente de que, finalmente, as doses para os pequenos foram solicitadas à Pfizer.

O pedido para esse público, pelo Ministério da Saúde, já poderia ter sido realizado desde meados de dezembro, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a aplicação da Pfizer para crianças de 5 a 12 anos.

Só que, antes da solicitação, o governo de Jair Bolsonaro decidiu, de forma inédita e bastante criticada por especialistas, improvisar uma consulta pública em que supostamente receberia opiniões da população sobre a pertinência de aplicar o antígeno nesse grupo.

As respostas colhidas foram majoritariamente favoráveis à aplicação da vacina, mas, sem atrelar a decisão a essa consulta, o governo anunciou que finalmente solicitaria as vacinas para crianças.

O Ministério da Saúde também tinha informado que exigiria prescrição médica para que crianças fossem vacinadas, mas já recuou nessa medida.

“É o que tem que ser feito”

Aparecido da Silva, morador de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, comemora a inclusão de crianças no programa, ainda que tal medida tenha sido adotada tardiamente.

“É o que tem que ser feito. Tem que vacinar, para evitar a piora. A criança pode até pegar Covid, mas pega com um quadro mais leve”, afirmou o médico.

Pelo que viveu com a filha, o pai lembra que crianças podem não apresentar os sintomas habitualmente relatados de coronavírus em adultos.

No caso de Alícia, sua filha, ela recebeu em 16 de janeiro do ano passado o diagnóstico de que sofria da síndrome mão, pé, boca, uma virose comum em crianças, em que se notam erupções alérgicas na pele.

“Crianças são mais sensíveis. Às vezes por medo, a criança não relata nada ou o sintoma não é perceptível”, destaca Aparecido da Silva.

O médico lembra que sua filha não teve coriza, nem febre, sintomas frequentemente relatados para quem se contaminou por Covid-19. Inicialmente, a pequena sentia mal estar e vômitos.

“Tudo complicou muito rápido. Ela deu entrada no hospital na sexta à noite e foi direto pra UTI. No sábado, acabou entubada. No domingo, morreu. Ela teve uma síndrome inflamatória multissistêmica que foi causada pela Covid”, afirmou.

JAIR 'GENOCIDA' BOLSONARO NEGA MORTES DE CRIANÇAS POR COVID-19

Metrópoles

Jair Bolsonaro ignorou nesta quinta-feira (6/1) a morte de 608 pessoas com até cinco anos por Covid ao dizer que não conhece nenhum caso de morte de crianças pela doença. “Quando morre um garoto que contraiu Covid geralmente, eu desconheço, mas existe com toda certeza algum moleque que morreu em função da Covid, tinha um problema de saúde grave. Era muito obeso ou tinha outra comorbidade qualquer”, disse.

As informações estão no boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de 27 de novembro deste ano. O documento traz a morte por faixa etária.



Não é possível obter informações mais atuais porque o banco de dados com todos os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já está há quase um mês fora do ar.

Em entrevista à TV Nova Nordeste mais cedo, o presidente questionou quem quer vacinar crianças. “Você vai vacinar o teu filho contra algo que o jovem por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele morrer é quase zero?”, disse. Ele também chamou de “pessoas taradas por vacina” quem deseja imunizar jovens.

A decisão do Ministério da Saúde de prolongar o intervalo das doses da imunizante contraria a orientação da Anvisa, que defende uma pausa de três semanas entre uma aplicação e outra para crianças de 5 a 11 anos
Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Anvisa aprovou, em 16 de dezembro, a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos. Para isso, será usada uma versão pediátrica da vacina, denominada Comirnaty/Getty Images

A vacina é específica para crianças e tem concentração diferente da utilizada em adultos. A dose da Comirnaty equivale a um terço da aplicada em pessoas com mais de 12 anos
Igo Estrela/ Metrópoles

Apesar da autorização, o início da vacinação de crianças no Brasil depende da presteza do Ministério da Saúde, uma vez que a pasta é responsável por incluir o público no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e adquirir doses especiais. Desde o início da pandemia, 301 crianças entre 5 e 11 anos morreram em decorrência do coronavírus no Brasil. Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias. Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no público infantil é significativa. Fora o número de mortes, há milhares de hospitalizações.

De acordo com a Fiocruz, vacinar crianças contra a Covid é necessário para evitar a circulação do vírus em níveis altos, além de assegurar a saúde dos pequenos. Contudo, o posicionamento da Anvisa tem causado embate no país. Desde o aval para a aplicação da vacina em crianças, a agência reguladora vem sofrendo críticas de Bolsonaro, de seus apoiadores e de grupos antivacina. 

Para discutir a aplicação da vacina em crianças, o Ministério da Saúde abriu consulta pública e anunciou que a imunização terá início em 14 de janeiro. Além disso, a apresentação de prescrição médica não será obrigatória. Inicialmente, a intenção do governo era de exigir prescrição. No entanto, após a audiência pública realizada com médicos e pesquisadores, o ministério decidiu recuar.

De acordo com a pasta, o imunizante usado será o da farmacêutica Pfizer e o intervalo sugerido entre cada dose será de 8 semanas. Caso o menor não esteja acompanhado dos pais, ele deverá apresentar termo por escrito assinado pelo responsável. Além disso, apesar de não ser necessária a prescrição médica para vacinação, o governo federal recomenda que os pais procurem um profissional da saúde antes de levar os filhos para tomar a vacina.

Segundo dados da Pfizer, aproximadamente 7% das crianças que tomaram dose do imunizante apresentaram alguma reação, mas em apenas 3,5% delas esses eventos adversos tinham relação com a vacina. Nenhum deles foi grave. Países como Israel, Chile, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Argentina, Cuba, e a própria União Europeia, por exemplo, são alguns dos locais que autorizaram a vacinação contra a Covid-19 em crianças. Nos Estados Unidos, cerca de 5 milhões de doses já foram administradas no público de 5 a 11 anos.

A decisão do Ministério da Saúde de prolongar o intervalo das doses da imunizante contraria a orientação da Anvisa, que defende uma pausa de três semanas entre uma aplicação e outra para crianças de 5 a 11 anos. A Anvisa aprovou, em 16 de dezembro, a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos. Para isso, será usada uma versão pediátrica da vacina, denominada Comirnaty.

Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, entraram em uma queda de braço com a Anvisa depois que a agência autorizou a vacinação de crianças entre cinco e 11 anos. Isso já acontece na Europa e nos Estados Unidos.

A disputa foi vencida pela Anvisa, já que a imunização de pessoas nessa faixa etária começará no próximo dia 14, sem a necessidade de prescrição médica, como chegou a ser aventado por Bolsonaro.
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