26 de julho de 2021

SANTARÉM/PA - SARGENTO MANDAVA MAIS QUE CORONEL NA POLÍCIA MILITAR AMBIENTAL

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Os dois militares são acusados de crimes como ameaças, venda de vagas, assédio e tortura. Decisão da Justiça Militar é para cumprimento imediato.

Por G1 — Santarém, Pará e Portal Roma News

Sargento Gildson dos Santos Soares e a coronel Andréa Keyla Leal Rocha
— Foto: Reprodução

A Justiça Militar decidiu nesta segunda-feira (26) pelo afastamento de coronel da Polícia Militar e pela prisão de sargento por crimes praticados na 1ª Companhia de Policiamento Ambiental (CIPAmb) em Santarém, no oeste do Pará. Os dois são acusados de diversos crimes como ameaças, venda de vagas, assédio moral e tortura. No processo também há acusação de falsificação de documentos.

Conforme a decisão do Juiz Lucas do Carmo de Jesus, a decisão é para cumprimento imediato e o processo vai tramitar em segredo de Justiça para preservação do interesse público e intimidade dos investigados.

Para a prisão preventiva do sargento Gildson dos Santos Soares, que já estava preso pela morte de uma mulher e tentativa contra outras cinco pessoas, a Justiça considerou a periculosidade, garantia da ordem pública, por conveniência das investigações criminais ou instrução da possível ação penal e para manutenção das normas e princípios da hierarquia e disciplina militares.

Já o afastamento da coronel Andréa Keyla Leal Rocha do comando do Policiamento Ambiental do Pará, o juiz considerou garantia da ordem pública, por conveniência das investigações criminais, para manutenção da hierarquia e disciplina militares.

A militar ficará impedida de frequentar a CIPAmb, pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo de a medida poder vir a ser revista e revogada ou prorrogada.

O documento do processo que embasa as investigações, traz depoimentos de policiais militares subordinados à Coronel Keyla, que denunciam a suposta venda de vagas.. “Ele cobrava R$ 10.000,00 (dez mil reais) para cada transferência. Ele queria que fosse feito um flagrante para pegar ele (Gildson), mas o policial envolvido era o Soldado Duarte, novinho e não tinha estabilidade e poderia ser envolvido por corrupção. Custava dez mil reais a vaga. O Soldado Duarte tinha sido transferido e tinha pago cinco mil reais. Ao todo tinham sido transferidos quatro policiais e tinham sido pagos trinta e cinco mil reais pelas quatro transferências. Ele (Gildson) ficava cobrando direto os cinco mil reais. O Ten. André sabe de muita coisa. Todas as vagas são despachadas por ela (Coronel Keyla). Ela (Coronel Keyla) faz tudo o que ele (Gildson) pede. 

Após o ocorrido, o declarante foi transferido. Ele (Gildson) soube que os policiais iriam testemunhar e foi até a unidade militar e disse que iria matar os familiares dos policiais que fossem testemunhar a favor do declarante.“, disse o Tenente Rosenildo Batista Silva, em depoimento ao Ministério Público.

Em outro trecho do processo, outro depoente, o cabo Eliakim Celestino Barroso aponta como Gildson agia fazendo analogias a corrupção dentro da Polícia Militar exibida na ficção “Ele (Gildson) dizia, quanto ao escalar os policiais, que “para rir tem que fazer rir”, que significa corrupção, sendo uma fala do filme “Tropa de Elite”. Os policiais tinham que acertar com ele para ele colocar na escala… Ele só colocava na escala quem era do interesse dele e quem acertava com ele. Desde de novembro para cá ela (Coronel Keyla) começou a fazer ingerência na Companhia, a mando do SGT Gildson. Por exemplo: A Capitã escalava um militar para tal função, viagem ou missão e ele (Gildson) ia lá e tirava. Se a Capitã questionasse, a ordem vinha da Coronel Keyla. Ele (Gildson) usurpou o comando da Capitã. Instalou-se um clima horrível. A Coronel Keyla dava suporte para as práticas do SGT Gildson.”


A Polícia Militar informou que irá cumprir com as determinações oriundas do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, e reiterou, ainda, que não coaduna com condutas que manifestem comprovado desvio da ética policial militar.

Os crimes

O procedimento investigatório criminal foi conduzido pela 2ª Promotoria de Justiça Militar e 3ª Promotoria de Justiça de Santarém, baseado em diversas denúncias de policiais militares da 1ª CIPAmb, onde ocorriam maior parte dos crimes.

Foi apurado que ocorria a transferência de militares com intuito de criar vagas na Companhia, um vez que o efetivo estava com quadro preenchido. O preenchimento ocorria, segundo as investigações, mediante pagamento ao sargento Gildson, que chegava ao valor de R$ 10 mil por transferência.

As mudanças eram possíveis porque, ainda segundo as investigações, contavam com a chancela da comandante coronel Keyla, que utilizava "de maneira indevida do seu cargo de comando, chancela as decisões do sargento Gildson, com a decisão final na escolha de quem seriam os policiais militares para fazerem parte do seu comandado, em especial a lotação na 1ª CIPAmb, o que demonstra o seu elevado grau de relevância no 'esquema de venda de vagas'".

Durante os depoimentos foi colhida a informação de que o sargento e a coronel tinham um "suposto relacionamento amoroso". A investigação aponta ainda que os dois tinha "estreito vínculo" e " apoio incondicional a diversos atos ilegais".

Diferentes militares de hierarquias diversas depuseram no processo, e apontaram ao sargento como autor de constantes ameças de mortes, não somente a quem o denunciasse, mas como aos familiares dos denunciantes.

Outras ameaças se deram quando militares tentaram denunciar abusos dentro da Companhia, revelando que a coronel poderia usar o "peso da caneta" contra que denunciasse Gildson.

Conforme as informações apuradas pelas Promotorias, os depoentes apontaram ainda os crimes de tortura, humilhação em cursos de capacitação, incluindo de tiro, ao qual o sargento estava proibido de utilizar devido a cautelares de outro processo na Justiça comum.

Ainda conforme as investigações, o sargento Gildson teria "falsificado o livro de cautela de armas da Companhia, assinando um termo de cautela como se fosse a coronel Andréa Keyla".

Em relação à coronel Keyla, entendeu-se que a comandante da Companhia Ambiental acobertava a conduta danosa do sargento, dando cobertura e proteção.
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